RZAK11: CRI de papel vale a pena com IPCA em queda? Análise de fevereiro 2026

RZAK11 renova portfólio com entrada do CRI Allegra Pacaembu II; operação rende CDI + 4%

O RZAK11, o Riza Akin, encerrou fevereiro de 2026 distribuindo R$ 1,05 por cota — um dividend yield mensal de 1,22% e impressionantes 16,05% nos últimos 12 meses. O fundo negocia com deságio de 4% em relação ao valor patrimonial, com a cota de mercado em     R$ 84,74 frente a uma cota patrimonial de R$ 88,17 — o que, na prática, significa que você está comprando R$ 1,00 de patrimônio por R$ 0,96. Mas o resultado distribuível do mês foi de R$ 1,13 por cota, ou seja, o fundo distribuiu menos do que gerou. Por que essa diferença? E o que está acontecendo com os CRIs Starbucks que o relatório menciona como exceção? É isso que vamos entender agora.

APRESENTAÇÃO DO FUNDO

O fundo se chama Riza Akin FII, negocia sob o ticker RZAK11 e é gerido pela Riza Gestora de Recursos, com administração pelo BTG Pactual. Iniciou suas atividades em dezembro de 2020, já passou por 4 emissões e possui hoje 8.807.885 cotas. Tem prazo indeterminado e é voltado para investidores em geral.

O diferencial do RZAK11 em relação a outros FIIs de papel está na estrutura da gestora: a Riza opera por meio de seis núcleos especializados — Renda Fixa, Direct Lending, Securitização e Carteiras, Agronegócio, Real Estate e Infraestrutura. Essa abordagem permite que o fundo invista em ativos de crédito privado e securitização com uma visão bastante granular sobre risco, garantias e indexadores, diferenciando-se da maioria dos FIIs de CRI do mercado. O patrimônio líquido é de R$ 776,6 milhões, com 45.147 cotistas. A taxa de administração é de 1,25% ao ano, e a taxa de performance equivale a 15% do que exceder o CDI.

DADOS DA COTA (PONTO POSITIVO ✅)

A cota patrimonial do fundo está em R$ 88,17, enquanto a cota de mercado encerrou fevereiro em R$ 84,74, resultando num P/VP de 0,96 — um deságio de aproximadamente 4% sobre o valor dos ativos.

Para o investidor, esse deságio é relevante por dois motivos. Primeiro, porque significa que você está comprando uma carteira de ativos por menos do que ela vale no papel. Segundo, porque o dividend yield calculado sobre a cota de mercado fica mais generoso: o próprio relatório apresenta um estudo de sensibilidade mostrando que, à cotação atual de R$ 84,74, o rendimento projetado de R$ 1,10 por cota equivale a um DY anualizado de aproximadamente 15,5% ao ano — com spread de CDI+ de 0,55% ao ano, ou CDI+ 2,93% em termos de gross-up. Quem comprar a cotas mais baixas, digamos a R$ 80,00, veria esse yield saltar para 16,5% ao ano.

✅ Para o investidor que compra no mercado secundário, o deságio atual representa uma entrada com margem de segurança sobre o valor patrimonial, potencializando o yield efetivo.

DIVIDENDOS (PONTO POSITIVO ✅)

Em fevereiro, o RZAK11 distribuiu R$ 1,05 por cota, pago no 15º dia útil de março (20/03/2026). O dividend yield mensal foi de 1,22%, e o acumulado dos últimos 12 meses chegou a 16,05% — bem acima do CDI bruto no período, que rodou em torno de 14,75% ao ano.

O resultado distribuível do mês foi de R$ 1,13 por cota — ou seja, o fundo gerou mais do que distribuiu. A distribuição de R$ 1,05 ficou dentro da banda do guidance previamente divulgado, que estabelece um intervalo de R$ 1,00 a R$ 1,10 por cota para os próximos três meses.

✅ O guidance mantido para os próximos três meses — entre R$ 1,00 e R$ 1,10 — transmite previsibilidade. O fundo distribui menos do que gera, o que significa que parte do resultado está sendo retido, podendo servir de colchão para meses com carrego menor, especialmente os meses com IPCA mais baixo.

COMPOSIÇÃO DA CARTEIRA (PONTO POSITIVO ✅)

O portfólio do RZAK11 é bastante diversificado, com alocação bruta correspondente a 102,87% do patrimônio líquido — essa alavancagem leve é obtida por meio de operações compromissadas reversas, com o objetivo de otimizar o retorno.

Por indexador, o IPCA+ domina com 49% do portfólio, seguido pelo CDI+ com 31%, INCC-DI+ com 11%, ativos sem indexador com 9,5% e prefixados com 2,2%. A taxa média dos ativos IPCA+ é de 10,11% ao ano, dos CDI+ é de CDI+ 3,34%, e dos INCC-DI+ chega a INCC-DI+ 11,88%. A duration média da carteira varia entre 1,9 e 3,5 anos dependendo do indexador.

Por núcleo de gestão, o Real Estate representa 42,92% do PL, Infraestrutura responde por 21,75%, Securitização e Carteiras por 24,80%, e os demais núcleos (Allocation, Direct Lending e Agronegócio) completam o restante. Por estratégia, o Crédito Estruturado lidera com 50,81% do PL, seguido pelo Crédito Pulverizado com 26,35% e pela posição em Dividendos com 7,21% — esta última representada pelo FII Riza Viseu Subclasse B, que tem exposição à Riva Incorporadora com taxa alvo de IPCA+ 20%.

✅ A diversificação entre núcleos, indexadores e estratégias é um ponto forte estrutural do fundo, reduzindo a dependência de um único tipo de ativo ou emissor.

MOVIMENTAÇÕES DO MÊS (PONTO DE ATENÇÃO ⚠️)

O portfólio não passou por grandes alterações em fevereiro. A única movimentação relevante foi a entrada de uma nova operação: o CRI Allegra Pacaembu II, com código B3 25L3133633.

Essa nova operação substituiu um empréstimo-ponte anteriormente vigente (código 22D0378281), que foi liquidado. A nova operação é de longo prazo, com vencimento em 2035, e está estruturada para financiar as obras do Complexo Esportivo do Pacaembu, sob gestão da Allegra. A remuneração é de CDI+ 4% ao ano, a estrutura é sênior com 30% de subordinação e as garantias incluem cessão fiduciária de recebíveis do projeto e alienação fiduciária das ações da SPE.

⚠️ O ponto de atenção aqui é que a nova operação conta com exposição de apenas R$ 17,5 milhões — equivalente a um terço do tamanho da operação que foi liquidada. Isso significa que houve uma redução líquida de alocação nesse ativo, com impacto marginal negativo no carrego do fundo no curto prazo.

ATUALIZAÇÕES DE CRÉDITO / RISCOS (PONTO DE ATENÇÃO ⚠️)

O evento de crédito mais relevante da carteira é o caso Starbucks, que o próprio relatório menciona como exceção ao comportamento geral dos ativos.

O fundo possui três CRIs vinculados à Southrock — operadora da marca Starbucks no Brasil —, identificados como CRI Starbucks III, IV e V. A Southrock entrou em recuperação judicial em dezembro de 2023, e os três CRIs acumulavam R$ 50,2 milhões na data anterior ao pedido. Atualmente, a posição total remanescente desses três ativos somados está em R$ 6,54 milhões, todos registrados em PDD (Provisão para Devedores Duvidosos) — ou seja, já contabilizados como perda potencial.

A gestão conseguiu uma decisão judicial para acessar cerca de R$ 3 milhões em recebíveis de cartão de crédito como garantia, com execução prevista para início de maio. Há possibilidade de retenção de mais recebíveis nos meses seguintes. O saldo remanescente permanece em negociação para pagamento parcelado, condicionado ao sucesso da recuperação da empresa.

⚠️ Embora o risco já esteja amplamente provisionado e represente apenas 0,84% do PL atual, o caso segue em aberto e merece acompanhamento. Ainda há incerteza sobre o montante e o prazo de eventual recuperação.

CENÁRIO MACRO (PONTO DE ATENÇÃO ⚠️)

A gestão destacou dois pontos macroeconômicos relevantes para o fundo em fevereiro. O primeiro é que o carrego dos ativos IPCA permanece em patamares baixos: o IPCA de fevereiro foi de apenas 0,70% no mês. Como quase metade do portfólio é indexada ao IPCA+, meses com inflação fraca pressionam o carrego desses ativos para baixo.

O segundo ponto é que, apesar da Selic mantida em 15% ao ano, o Banco Central sinalizou o início do ciclo de corte de juros, o que deve impactar diretamente o carrego dos ativos atrelados ao CDI — que representam 31% do portfólio. A gestão também destacou que a estrutura de hedge mantida pelo fundo gerou impacto positivo com a abertura da curva de juros em fevereiro, mas esse ganho foi compensado patrimonialmente pela desvalorização dos ativos IPCA+ e prefixados da carteira.

⚠️ O fundo está num momento de transição: o início esperado de cortes na Selic vai reduzir o carrego dos ativos CDI+, enquanto a aceleração do IPCA — caso ocorra — pode melhorar o carrego da parcela majoritária do portfólio. O net dessa equação vai depender do ritmo e da magnitude do ciclo de afrouxamento monetário.

LIQUIDEZ (PONTO DE ATENÇÃO ⚠️)

A liquidez média diária do RZAK11 é de R$ 1,9 milhão. Para um fundo com patrimônio líquido de R$ 776,6 milhões, esse número é relativamente baixo — representa menos de 0,25% do PL negociado por dia.

⚠️ O investidor pessoa física que opera com volumes menores não terá dificuldades significativas para entrar ou sair do fundo. No entanto, para quem pensa em alocar montantes maiores, a liquidez reduzida pode exigir mais paciência na execução das ordens sem impactar o preço da cota no mercado secundário.

CONCLUSÃO

Fevereiro foi um mês operacionalmente sólido para o RZAK11. O resultado distribuível de R$ 1,13 por cota superou a distribuição de R$ 1,05, o guidance para os próximos três meses foi mantido entre R$ 1,00 e R$ 1,10, e a única movimentação relevante foi a entrada do CRI Allegra Pacaembu II em substituição a um empréstimo-ponte liquidado.

Os três pontos mais importantes para o investidor acompanhar nos próximos meses são: primeiro, a evolução do caso Starbucks — embora já provisionado, ainda há um processo de recuperação judicial em andamento que pode gerar tanto recuperações parciais quanto novas perdas; segundo, o impacto dos cortes da Selic sobre o carrego dos ativos CDI+, que representam 31% do portfólio; e terceiro, o comportamento do IPCA nos próximos meses, que é determinante para o carrego da maior parcela da carteira.

Isso não é recomendação de investimento.

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