MANA11: dentro do guidance por 12 meses seguidos — como e até quando

MANA11 fevereiro/2026: com Selic alta, conflito no Oriente Médio e mercado volátil, o fundo manteve o dividendo — veja o que sustentou o resultado

O MANA11 encerrou fevereiro de 2026 distribuindo R$ 0,11 por cota, entregando um dividend yield anualizado de 15,0% ao ano — isento de imposto de renda para pessoas físicas — e equivalente a 138,6% do CDI líquido no período. A cota de mercado fechou em R$ 9,37, com um deságio de apenas 1,16% em relação ao valor patrimonial de R$ 9,48, o que mostra que o fundo está sendo negociado perto do seu valor justo. Desde o início, em maio de 2022, a cota patrimonial ajustada acumula +52,1% de retorno, superando o IFIX em 130% e o CDI equivalente em 110%. Com um portfólio híbrido que mistura CRIs, FIIs, ações imobiliárias e projetos de incorporação residencial, mas com a consistência de pagar R$ 0,11 por cota mês após mês — o que exatamente sustenta esse resultado em um cenário tão desafiador?

APRESENTAÇÃO DO FUNDO

O Manatí Hedge Fund FII, ticker MANA11, é um fundo híbrido de gestão ativa classificado pela Anbima como FII TVM Gestão Ativa — Títulos e Valores Imobiliários. A gestão é feita pela Manatí Capital Management e a administração é responsabilidade do Banco Daycoval S.A. O fundo existe desde 26 de maio de 2022 e já passou por cinco emissões de cotas, encerrando fevereiro com 37.536.140 cotas emitidas.

✅ O objetivo do fundo é auferir rendimentos investindo em um espectro amplo de ativos imobiliários: CRIs, FIIs, FIDCs imobiliários, ações imobiliárias, cotas de SPE, imóveis e outros títulos do setor. Essa flexibilidade de mandato é o que diferencia o MANA11 dos fundos de papel ou de tijolo tradicionais — e também o que exige mais atenção do investidor para acompanhar a gestão.

O patrimônio líquido encerrou o mês em R$ 355,85 milhões, com 36.565 cotistas — crescimento de 3,6% em relação ao mês anterior, o que representa um novo recorde da base de investidores do fundo. A taxa de administração é de 1,00% ao ano sobre o PL (all-in, já incluindo gestão e custódia), e há uma taxa de performance de 20% sobre o que superar IPCA mais o yield do IMA-B5, apurada semestralmente.

DADOS DA COTA (PONTO DE ATENÇÃO ⚠️)

O valor patrimonial encerrou fevereiro em R$ 9,48 por cota, enquanto o valor de mercado fechou em R$ 9,37 — um deságio de 1,16%. Na prática, quem compra na bolsa hoje está pagando ligeiramente abaixo do valor contábil do fundo, o que a gestão considera uma oportunidade de entrada, especialmente diante da expectativa de fechamento da curva de juros futuros.

⚠️ O ponto de atenção aqui é que a cota patrimonial inclui ativos de incorporação que são marcados a valor de projeto, e não a valor de mercado líquido. Isso significa que a avaliação do deságio depende de quanta confiança o investidor deposita nos retornos projetados dos projetos em desenvolvimento — que têm prazo de entrega entre 2027 e 2030. A gestão é transparente sobre isso, mas o investidor precisa entender que parte do valor patrimonial só será realizada no futuro.

DIVIDENDOS (PONTO POSITIVO ✅)

✅ Em fevereiro, o MANA11 distribuiu R$ 0,11 por cota, com pagamento no 15º dia útil de março de 2026. O dividend yield anualizado ficou em 15,0% ao ano sobre a cota de mercado, ou o equivalente a IPCA mais 10,7% ao ano quando comparado à inflação estimada de 3,91% pelo Boletim Focus.

O fundo mantém um guidance de distribuição entre R$ 0,10 e R$ 0,12 por cota ao mês para o primeiro trimestre de 2026, e fevereiro ficou exatamente no centro da banda. O resultado operacional do mês foi de R$ 0,126 por cota — ligeiramente acima dos R$ 0,11 distribuídos — e essa diferença marginal permanece como reserva para reforçar distribuições futuras em meses de menor resultado recorrente.

Vale destacar a consistência histórica do fundo: desde julho de 2022, o dividendo nunca ficou abaixo de R$ 0,10 por cota, e o acumulado de 2025 foi de R$ 1,30 por cota ao longo de 12 meses, com yield de 16,6% isento de IR sobre a cota de mercado vigente à época.

COMPOSIÇÃO DA CARTEIRA (PONTO POSITIVO ✅)

✅ O fundo encerrou fevereiro com 98,3% dos recursos alocados em ativos-alvo, distribuídos em quatro grandes blocos. O Crédito Estruturado — principalmente CRIs — representa a maior fatia, com 64,8% do PL. A carteira de incorporação responde por 18,2%, os FIIs por 12,6%, o caixa por 2,9% e as ações imobiliárias por 2,8%. Não há nenhuma operação de alavancagem na carteira.

A carteira de CRIs apresenta duas frentes de indexação: 28,4% do portfólio de estruturados é indexado ao CDI com taxa média de CDI mais 4,7% ao ano, e 49,7% é indexado ao IPCA com taxa média de IPCA mais 10,1% ao ano. Os 21,9% restantes correspondem ao book de incorporação com retorno de viés prefixado. A duration média da carteira IPCA é de 3,3 anos, e a do CDI de 2,5 anos — um perfil relativamente conservador em termos de prazo.

Os principais setores dos estruturados são incorporação (35,8%), shopping (6%), hotelaria (4,4%), properties (4,4%) e locação (3,4%), entre outros. A carteira de FIIs está majoritariamente alocada em recebíveis (45,8%), shopping (17,9%) e renda urbana (13,2%), com uma divisão entre estratégias de carrego (69,5%) e ganho de capital (30,5%).

MOVIMENTAÇÕES DO MÊS (PONTO POSITIVO ✅)

✅ O principal destaque de fevereiro em termos de gestão ativa foi a atuação no book de ações imobiliárias. A gestão aproveitou a forte valorização das ações em geral para realizar ganhos de capital parciais em algumas posições, gerando R$ 626 mil em receitas do livro de ações no mês — um salto expressivo em relação aos R$ 143 mil de janeiro. No acumulado dos dois primeiros meses de 2026, as negociações de ações geraram mais de R$ 700 mil, ou R$ 0,02 por cota de dividendo adicional.

No book de incorporação, os projetos em Florianópolis seguem com bom andamento. O Allure foi lançado 100% vendido em maio de 2025 e permanece nesse patamar. O Physis Place está com 48% de vendas. O Puerto Madero e o Natus, lançados em janeiro de 2026, fecharam o primeiro mês com 44% e 27% de vendas, respectivamente — desempenhos considerados sólidos pela gestão dado o padrão e a localização dos empreendimentos.

O Grand Pulse Jundiaí continua superando expectativas: as fases 1 e 2 estão com 99% e 97% das unidades vendidas, e a fase 3 foi antecipada pela gestão em razão do sucesso das anteriores, já encerrando o primeiro mês com 25% de vendas. O agente financiador já está engajado e as obras estão em andamento, o que reduz o risco do projeto e potencializa a TIR-alvo de 22,5% ao ano.

ATUALIZAÇÕES DE CRÉDITO / RISCOS (PONTO POSITIVO ✅)

✅ O relatório confirma de forma explícita que todas as operações da carteira permanecem adimplentes e em dia com suas obrigações. Isso é um ponto importante para um fundo com 31 CRIs distintos na carteira, abrangendo incorporadoras, loteamentos, shoppings, hotelaria, logística refrigerada e até mobilidade — um nível de diversificação que dilui o risco de inadimplência individual.

O fundo tem garantias estruturadas na maioria dos papéis, com alienação fiduciária de imóveis, cessão fiduciária de recebíveis, fundos de reserva e avais dos sócios. Os LTVs médios da carteira variam bastante por operação — de 12% em operações de incorporação com recebíveis robustos até 77% em alguns CRIs corporativos — o que exige análise caso a caso. O ponto positivo é que a gestão publica a lista completa de ativos com código IF, LTV, indexador e taxa de mercado, o que é um nível de transparência pouco comum entre fundos comparáveis.

CENÁRIO MACRO (PONTO DE ATENÇÃO ⚠️)

⚠️ O comentário do gestor de fevereiro é particularmente extenso e relevante. O mês começou com a tendência de portfolio rotation — saída de capital dos EUA em direção a mercados com maior prêmio de risco — favorecendo ativos brasileiros. O Ibovespa valorizou mais 4% no ano, acumulando mais de 17% em 2026, e os títulos indexados ao IPCA de duration mais longa se destacaram com valorização de 2,2% em fevereiro, frente a 1,0% do CDI no período.

O problema surgiu no último dia do mês, com o início do conflito entre Israel, EUA e Irã, que rapidamente escalou para um confronto regional e provocou forte alta no petróleo. A gestão alerta que esse choque tende a pressionar a inflação de curto prazo globalmente, dificultando o trabalho dos bancos centrais e aumentando o risco de que o ciclo de afrouxamento nos EUA seja mais tardio do que o mercado precificava. No Brasil, o Copom havia praticamente telegrafado o início do ciclo de corte para março, mas esse cenário foi construído sobre a premissa de estabilidade global — premissa que se alterou significativamente ao final do mês.

Para o MANA11, o cenário é duplamente relevante: uma Selic alta por mais tempo é positiva para o carrego dos CRIs indexados ao CDI, mas o aumento da inflação pode ser capturado positivamente pelos papéis indexados ao IPCA. A gestão destaca que a maior volatilidade justamente amplia a relevância da gestão ativa para capturar oscilações e gerar resultados extraordinários.

LIQUIDEZ (PONTO DE ATENÇÃO ⚠️)

⚠️ O volume negociado em fevereiro foi de R$ 26,4 milhões no mês, com média diária de R$ 1,5 milhão, representando um giro de 7,59% das cotas emitidas. Para um fundo com patrimônio de R$ 355 milhões, essa liquidez está em um nível razoável — não é um fundo de altíssima liquidez como os grandes do IFIX, mas está bem acima de muitos fundos de estratégia similar.

O fundo vem crescendo de forma consistente: saiu de volumes médios abaixo de R$ 0,5 milhão diários em 2022 e 2023 para o patamar atual de R$ 1,5 milhão, em paralelo ao crescimento da base de cotistas de pouco mais de 4 mil no início para 36.565 em fevereiro. Esse crescimento orgânico reduz o risco de concentração do passivo e tende a melhorar a liquidez com o tempo.

CONCLUSÃO

O MANA11 apresentou em fevereiro de 2026 um resultado robusto e dentro do guidance, com gestão ativa demonstrando valor concreto. Os três pontos mais importantes para o investidor acompanhar são os seguintes.

Primeiro, o dividendo de R$ 0,11 por cota é consistente, isento de IR e expressivo frente ao CDI — mas depende da combinação de carrego recorrente dos CRIs com ganhos extraordinários da gestão ativa. Sem esses resultados extras, o dividend yield seria menor, o que coloca um peso relevante na capacidade de execução contínua da gestão.

Segundo, o book de incorporação (18,2% do PL) é a aposta mais diferenciada e também a mais arriscada do fundo. Os projetos estão evoluindo bem — com percentuais de vendas acima do esperado e obras em andamento — mas o retorno efetivo só será realizado entre 2027 e 2030, e a certeza atual depende de premissas imobiliárias que podem mudar com um ciclo econômico adverso.

Terceiro, o cenário macro mudou no fim de fevereiro com o conflito no Oriente Médio. Uma inflação global mais persistente pode atrasar o ciclo de corte de juros no Brasil e no mundo, o que impacta tanto o valuation dos FIIs na carteira quanto as condições do mercado imobiliário para os projetos de incorporação.

Isso não é recomendação de investimento.

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